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Moda, arte e encontro

Moda, arte e encontro

InspiraModa.SC inaugurou sua programação anual de bons debates com um evento para fazer pensar

Moda é arte? A estilista Emanuele Jacques e a jornalista Maristela Amorim, sócias do InspiraModa.SC levantaram essa questão no primeiro encontro de conteúdo que realizaram. E convidaram o professor José Alfredo Beirão, mestre no assunto, para trazer as respostas, analisando as várias questões que podem evolver o tema, sempre polêmico tanto quanto envolvente.

Pensar moda como arte é ver as duas formas de expressão artística de um jeito contundente, mas ao mesmo tempo deixar margens para dúvidas. A moda pode ser vista como arte a partir do momento que existe o processo criativo, a provocação, a exclusividade, a originalidade. Mas só cumpre o seu papel se for par vestir. Ao mesmo tempo que perde a condição de arte quando vira produto de moda, comercial, massificado. Deu para entender? Se ainda não, talvez esse seja o objetivo. E, quem sabe aí, a razão do debate.

E foi perfeito, com todo o conhecimento de Beirão. Arquiteto de formação e inquieto por natureza, trocou profissão por um curso de Figurino na Esmod (Escola Superior das Artes e Técnicas da Moda), em Paris. Foi o melhor da turma, estagiou na Ópera Nacional de Paris e tem um de suas criações catalogadas na Biblioteca Nacional de Paris. Voltou para o Brasil, foi professor no curso de Moda da Udesc – onde também cuidou da Modateca, programa de preservação da história da moda e memoria cultural de Santa Catarina. Hoje trabalha apenas como figurinista, com ateliê próprio, assinando criações para escolas de samba, óperas, teatro, balé, carnaval de Nova Veneza.

O evento Moda é Arte? contou também com a exibição de criações autorais das estilistas Luiza Lobato, cuja característica é trazer as rendas artesanais como protagonistas das suas criações; Raianne Diniz, que fez o próprio vestido de noiva em crochê, utilizando 8.100 metros de fio nesta construção; e Emanuele Jacques, num traje de formatura todo na técnica da moulage – quando a peça é modelada no próprio corpo.

No evento, que aconteceu em 13 de maio no elegante Cité Rooftop e com welcome drink da Madame Wines, ainda teve exposições de expressivas marcas locais. A Personnalité Joias levou peças de suas coleções cápsulas e outras que desenvolve cuidadosamente, sob medida, em joalheria personalizada e exclusiva. Stela Knabben impactou com calçados que levam a sua marca e fogem do convencional, mostrando o seu olhar sempre muito apurado para a moda. E a Ara Bleu, de moda feminina elegante, mas ao mesmo tempo despojada, que nasceu em Joaçaba e já conquistou o Brasil.

E quem foi saiu com muitas boas recordações. De tudo o que viu e ouviu. Dos encontros agradáveis e produtivos, dos mimos que as organizadoras sabem bem como surpreender. E ainda com uma edição da bonita revista da Ara Bleu, um livro interessantíssimo sobre a história da moda dos anos 1950 em Florianópolis, e outro sobre Moda e Arte, da artista plástica Flávia Tronca, para fazer todo mundo continuar pensando no assunto enquanto espera o próximo encontro do InspiraModa.SC.

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