De acordo com o INCA, no Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente em mulheres de todas as regiões, com taxas mais altas nas regiões Sul e Sudeste.
A Inteligência Artificial pode trazer benefícios na evolução da humanidade, trazendo respostas mais assertivas para objetivos comuns e evolutivos, mas também pode impactar a sociedade de maneira insana quando utilizada para outras finalidades como na indústria bélica e em projetos de guerra.
Na Medicina, da robótica à IA, o salto da tecnologia reflete-se na facilidade e baixo custo das ferramentas médicas que cruzam dados para solução de problemas como a prevenção do câncer de mama.
No projeto HUNA, a IA foi utilizada para prevenção de vários tipos de câncer, a partir do raciocínio humano de que pacientes que evoluíram para determinados tipos de Ca de mama apresentavam, em exames de sangue de rotina, alterações em comum ao longo de 15 a 16 anos. Essas alterações tornaram-se marcadores da predisposição para tais tipos de câncer, a partir da interpretação de exames comuns como o hemograma, que guarda informações do sistema sanguíneo, responsável por levar nutrientes e oxigênio às células, tornando-se o maior sistema de comunicação entre as células.
As células vermelhas (hemácias ou eritrócitos) podem demonstrar alterações típicas para cada tipo de CA, visto que células cancerígenas apresentam metabolismo exagerado, consumindo mais oxigênio e nutrientes. As células brancas (leucócitos), também analisadas pelo hemograma, são responsáveis pela resposta imune a invasores, sendo as células cancerígenas invasoras com propriedades específicas à resposta imunológica, umas ativando glóbulos brancos como linfócitos, outras inibindo a produção de células imunes como eosinófilos.
Através da IA, foram analisados mais de 300.000 hemogramas de mulheres com Ca de mama há mais de 10 anos, mesmo tratados, mas ainda com estadiamento de câncer. Os hemogramas foram analisados para verificar semelhanças em alterações celulares, desde hemácias até células imunes como basófilos e eosinófilos. Um exemplo seria o CA intra-luminal, com contagem de eosinófilos de 0,0% ao longo de 10 anos, indicando eosinopenia.
A IA roda um hemograma e demonstra se o paciente apresenta padrões que o tornam predisposto ao mesmo tipo de câncer. Gestores de saúde podem organizar melhor as filas para mamografia. A maioria das mulheres não realiza o exame, crucial para diagnóstico precoce. O diferencial da HUNA é detectar cânceres com exames de rotina, mais baratos e acessíveis, tornando o rastreamento mais democrático.
A tecnologia da startup deeptech, com instituições como A.C Camargo Cancer Center, Fundação Fleury, UFMG e Grupo Sabin, ajuda a antecipar em até 16 semanas o diagnóstico de Ca de mama. O projeto não prevê se o paciente terá câncer, mas classifica o nível de risco. Isso facilita gestores públicos no acesso a exames com filas de até 2 anos, como a mamografia, servindo de triagem para saber quais pacientes necessitam de exames com mais urgência.
Em resumo, o projeto HUNA utiliza o hemograma avaliado pela IA, com banco de dados de exames de pacientes com câncer de mama, que tinham variações com semelhanças peculiares para cada tipo estudado. Essa lógica simples está otimizando o diagnóstico precoce em até 70% em relação aos métodos convencionais.


