A trajetória dos direitos femininos é marcada por séculos de opressão sistemática e resistência incansável. Durante milênios, as mulheres foram deliberadamente excluídas da vida pública, privadas de educação formal, participação política, autonomia econômica e do direito fundamental de decidir sobre seus próprios corpos.
O século XIX testemunhou o florescimento dos primeiros movimentos feministas organizados. Conquistas como o sufrágio universal, o acesso à educação superior e a inserção no mercado de trabalho foram alcançadas através de protestos corajosos e mobilizações persistentes que desafiaram as estruturas patriarcais enraizadas no tecido social.
Compreender esta jornada histórica não apenas esclarece as desigualdades de gênero que persistem, mas também ilumina a importância dos movimentos atuais pela equidade. Egípcias desfrutavam de direitos jurídicos excepcionais para a época, embora enfrentassem acesso restrito à escrita hieroglífica. Romanas possuíam proteções legais superiores às gregas, porém permaneciam sob tutela masculina. Na democracia ateniense, mulheres eram excluídas da cidadania plena.
Durante o Renascimento, mulheres permaneciam excluídas das universidades. As eruditas da época publicavam anonimamente ou com pseudônimos masculinos. A influência eclesiástica agravou a perseguição às mulheres detentoras de saberes tradicionais.
Movimentos revolucionários femininos desafiando o machismo estrutural solidificaram bases indispensáveis para os feminismos subsequentes.
Em 1948, a Constituição Italiana passou a garantir igualdade jurídica entre homens e mulheres. Contudo, até hoje, os descendentes de mulheres nascidos até 1948 não têm o direito natural à cidadania italiana.
No esporte, até 1972, mulheres eram proibidas de participar oficialmente de maratonas, sob alegações de que não suportariam o esforço físico.
Mulheres representam atualmente 20% a menos na economia mundial, e uma em cada três sofrerá violência física ou sexual ao longo da vida. Globalmente, ocupam apenas 25% dos assentos parlamentares.
A autonomia corporal enfrenta resistências. Ainda hoje, mulheres ocupam 38% menos cargos de liderança, mesmo sendo pouco mais da metade da população e com maior grau de instrução.
A Lei Maria da Penha exemplifica um marco no combate à violência.
A educação transformadora e a cooperação internacional potencializam avanços. Cada avanço representa décadas de ativismo. A igualdade de gênero exige vigilância, mobilização coletiva e transformações profundas.

1791
Na França, Olympe de Gouges publicou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã criticando a exclusão da mulher nos documentos oficiais da Revolução Francesa.

1848
Em Nova York, Elizabeth Cady Stanton e Lucretia Mott organizaram a Primeira Convenção dos Direitos da Mulher, criticando a exclusão das mulheres.

1893
A Nova Zelândia se torna o primeiro país da história a legalizar o voto feminino.

1911
Nesse ano, o dia 8 de Março foi datado como o Dia Internacional da Mulher, com diversos protestos na Rússia, Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, exigindo por direitos trabalhistas e o direito ao voto.

1920
No Egito, a Sociedade Egípcia de Médicos realiza a primeira campanha na história contra a mutilação genital feminina (MGF). Nos EUA, é ratificada a 19ª Emenda Constitucional, dando às mulheres o direito ao voto no país.

1932
Mulheres brasileiras conquistam o direito de votar e serem votadas.

1945
Carta da ONU: Reconhece igualdade de direitos de homens e mulheres, se tornando base para tratados e avanços internacionais.

1975
No México, é realizada a primeira Conferência Mundial da Mulher pela ONU, iniciando a “Década da Mulher” ou “Segunda Onda Feminista“

1977
Permite legalmente a dissolução do casamento, dando autonomia à mulher para decidir sobre sua vida conjugal. Reforçando os direitos da mulher, como o Estatudo da Mulher Casada de 1962.

1979
É aprovada a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW) da ONU. Este é um dos mais importantes instrumentos internacionais de proteção às mulheres até hoje.

1988
Constituição Federal do Brasil, consagrou os princípios de igualdade, liberdade e dignidade, garantindo proteção e direito das mulheres nos âmbitos familiar, trabalhista, político e social.

1993
É aprovada a Declaração sobre a Eliminação da Violência Contra as Mulheres pela Assembleia Geral da ONU, sendo o primeiro instrumento internacional a apresentar de forma explícita uma definição sobre a violência contra as mulheres.

1995
Como resolução da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, é publicada a Declaração de Beijing, servindo um guia de boas práticas para o estabelecimento da igualdade entre homens e mulheres no mundo.

2006
Marco no combate à violência doméstica e familiar, referência internacional.

2015
A igualdade de gênero é colocada como uma das metas para ser atingida até 2030 nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU. No Brasil, feminicídio passa a ser homicídio qualificado.

