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TRANSTORNO ESPECTRO AUTISTA (TEA) E CANNABIS MEDICINAL

“Pais atípicos” de crianças com transtornos neurodivergentes estão cada vez mais buscando a cannabis medicinal como opção terapêutica para seus filhos, onde sintomas como hiperatividade, oscilação de humor, dificuldade de interação social, autoagressividade e movimentos voluntários são as queixas principais. O TEA é o mais beneficiado pelos canabinóides presentes na planta, como o CBD, THC, CBG, THCV, CBN, opções terapêuticas no Autismo, do nível 1 a 3, onde não existe tratamento medicamentoso específico.

No Brasil, o mais usado, a risperidona, é um antipsicótico com efeito apenas sedativo nas crises de meltdown (agitação, autoagressividade, etc) e shutdowm (isolamento social) do que nas alterações de cognição ou comportamentais. Medicamentos, como antidepressivos, psicoestimulantes e antipsicóticos, tem como efeitos adversos: sedação excessiva, alterações de humor, apetite e cognição, síndrome metabólica e efeitos extrapiramidais.

E, por se tratar de um fitoterápico, a cannabis medicinal vem sendo exaustivamente estudada para o TEA, pois atua no sistema endocanabinóide (Sistema Nervoso Central) e tem função regulatória sobre as sinapses neuronais, onde estão os depósitos de serotonina, dopamina e GABA, neurotransmissores envolvidos nos distúrbios comportamentais e cognitivos presentes no TEA. A abordagem será sempre multidisciplinar, associando a terapia ABA ou TCC, que envolve psicoterapia, terapia ocupacional, nutrição, psicopedagogia, fonoaudiologia, com o intuito de melhorar o comportamento e desenvolvimento cognitivo. Algumas inovações surgem com o aumento da população de crianças com TEA (1% da população geral), como o Cognvox, um programa onde o foco é o desenvolvimento cognitivo para pessoas neurodivergentes dentro do ambiente escolar. Há, também, iniciativa de atendimentos humanizados como no Instituto Léo, que oferece tratamento odontológico especializado para crianças atípicas, como os autistas. ONGs e associações de mães atípicas avançam na abordagem do TEA. Para a saúde pública, o atendimento multidisciplinar ainda é uma realidade distante, sendo o nosso grupo de TEA um dos pioneiros na abordagem dessas crianças na periferia. Para os convênios de saúde, essas crianças apresentam alto índice de judicialização, em tratamentos que custam de vinte a trinta mil reais por mês. As crianças da chamada classe A e B são as únicas que apresentam condições financeiras de suporte. Por isso a necessidade de se avançar em políticas públicas e em novas abordagens terapêuticas humanizadas e significativas, uma vez que a causa desse transtorno se deve a interação de fatores genéticos a ambientais, mas uma etiologia específica ainda não é suportada.

A maioria dos estudos avaliou tanto os sintomas principais do TEA (p. ex., comunicação social) quanto sintomas comórbidos comuns, como comportamento disruptivo, ansiedade e até crises epilépticas. Melhorias foram relatadas no comportamento e cognição, incluindo ansiedade, agitação, agressão e comportamento autolesivo, bem como sono, cognição, atenção, interação social e linguagem.

Nenhuma das opções terapêuticas disponíveis em todo o mundo demonstrou benefícios tão promissores como a cannabis medicinal, tanto que os pais dessas crianças, quando atendidos, falam em nunca abandonar o tratamento, buscando judicialização para acesso aos óleos ou montando associações de cultivo, extração e produção de óleos artesanais, via Habeas Corpus. Mas a maioria dos óleos utilizados no tratamento provêm do exterior, em especial, dos EUA, onde técnicas de cultivo, extração e industrialização se encontram mais avançadas, oferecendo melhor preço de mercado ao consumidor e um certificado de análise (CoA) mais completo, visto que essas crianças autistas apresentam maior sensibilidade ao THC, único canabinóide com propriedades psicoativas. A administração escolhida é do Cannabidiol Broad Spectrum ou Isolado, onde extrai-se por completo o teor de THC para não se incorrer nesse erro. O painel farmacogenético extendido para cannabis é um exame que estuda essa sensibilidade, já que em comorbidades como a epilepsia ou automutilação, o THC será de grande valia terapêutica. O maior problema ainda é o “preconceito” com o “remédio da maconha” que, a cada pesquisa, perde seu lugar perante os resultados promissores no TEA e a adesão desses pais atípicos ao tratamento. Créditos devem ser dados a importadoras como a Indicann Health que investem na pesquisa da cannabis medicinal no Brasil e apoiam iniciativas de ONGs brasileiras, mesmo sendo sua fábrica nos EUA.

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